História da nossa Rádio

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Tudo começou em 1977, na zona de Odivelas com o aparecimento da Rádio Juventude, era uma emissora pirata que funcionava aos Sábados e Domingos em 100 MHz, com os seus estúdios escondidos num sótão de um prédio de habitação. Era constituída por uma equipa de radioamadores e radio-técnicos que encontraram assim uma boa forma de ocupar os seus tempos livres e entreter a população da área de Odivelas e terras mais próximas. Eram emissões interessantes. Com poucos recursos e com material muito simples, conseguiam bastante qualidade nos seus programas. Emitiam música ao gosto dos ouvintes e tinham noticiários com informação local, coisa que nunca ninguém tinha ouvido antes em Portugal. Muitas foram as vezes, que foram vítimas de perseguições por parte dos Serviços Radioeléctricos. Mas sempre conseguiam fugir com os equipamentos “às costas”.

Esta emissora deu lugar, a partir de 1979, a uma nova estação que emitia na mesma frequência (100 MHz) e na mesma localidade, a Rádio Imprevisto. Se a primeira já tinha algum sucesso junto da população, esta teve muito mais ainda. Era muito mais forte em todos os aspectos, a programação era muito melhor e mais completa, as emissões passaram a ser diárias e a cobrir toda a área de Lisboa. Nesta época os custos começaram a ser suportados por publicidade a nível do comércio local. As perseguições mantinham-se, mas os “piratas” resistiam sempre. A Rádio Imprevisto, mais tarde mudou os seus estúdios para a vila da Pontinha e aí se manteve com programação 24 h no ar até 1988, data em que surgiu a nova lei da rádio e em concurso público foi reprovada.

Falamo-vos da Rádio Imprevisto com todos os pormenores porque foi a primeira a emitir “a sério”, no entanto a partir de 1979 começaram a surgir outras, como a Rádio Saturno de Odivelas em 101.6 e mais tarde em 102 MHz, era uma rádio também muito boa e veio a conquistar ainda mais ouvintes que a Imprevisto. A Rádio Saturno chegou a ser ainda mais ouvida que as rádios estatais na zona de Lisboa. Podemos concluir que foi em Odivelas que se deram os primeiros passos para a rádio local em Portugal.

Em 1982 houve uma invasão de rádios novas em Odivelas e Amadora. Em 1986 essa invasão já se tinha espalhado a todo o país. Em 1988 existiam cerca de 350 rádios piratas em Portugal.

Quando se realizou o concurso público, previsto pela nova lei da rádio em 1989, foram aprovadas cerca de 60% (aproximadamente) das que eram ilegais, as restantes emissoras aprovadas, foram criadas na altura do concurso, essas nunca emitiram clandestinamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Indicativo musical da Radio Saturno desde 1978

Space - On the air (1979)

 

 

 

Cortesia da Odivelas TV, e testemunhos dos colaboradores

Vitor Henriques

Vitor Henriques foi um dos primeiros técnicos da Rádio Saturno, emissora que, ajudou a crescer desde os seus primeiros dias. A par de alguns trabalhos frente ao microfone, o Vitor Henriques foi também adjunto da Direcção de Programas daquela rádio, na altura então sob Direcção de Elisa Fonseca. É sobretudo por sua iniciativa, que a Saturno passou a incluir na sua programação a primeira produção independente das rádios de Loures : “O Ciclo da Noite “, produzido por uma equipa de gente hoje conhecida, à frente da qual estava Carlos Jorge.

Depois de um curso de formação profissional na TSF, dá-se a mudança para a Rádio Nova Antena, onde desenvolveu a tecnologia da estação. Hoje, ainda trabalha na componente técnica das comunicações, na Portugal Telecom, em Negrais….Vitor Henriques, um dos pioneiros da rádio em Loures, é hoje o convidado de Heróis do Éter….

Fatima Rodrigues

Fátima Rodrigues, começou na Rádio Saturno, naquela que foi, a primeira produção independente das rádios locais do concelho de Loures, “O Ciclo da Noite”, a primeira “pedrada no charco” do marasmo da rádio, a nível local. Foi fundadora da Rádio Cruzeiro, onde foi responsável por vários espaços radiofónicos, de entre os quais se destacam “A Música, a Mulher e a Vida”, aos domingos, entre as 23 e as 24 e a sua grande realização : ” O Castelo Encantado “, programa infantil, feito em directo aos domingos entre as 10 e as 13, baseado no “Jogo do 31″, com preocupações formativas e académicas, que chegava ao pormenor de reservar a informação das 11 e 12 horas, apenas a notícias infantis e era muitas vezes realizado em directo, da Sociedade Musical Odivelense, uma casa de cultura e de arte que sempre apoiou projectos marcantes. Sem dramas, sem medos, que o auditório era fiel, hoje, homens e mulheres de 30/35 anos, que na altura, às dez da manhã de cada domingo arrancavam os pais do sono profundo e merecido do fim de semana. chovesse ou houvesse sol.

Depois da Rádio Cruzeiro, ainda foi funcionária da Rádio Nova Antena, onde além da co-realização de “Á Noite Logo Se Vê…”, um dos mais emblemáticos, do período pré e pós-legalização, também realizou um infantil, embora sem o retorno de audiência conseguido na Rádio Cruzeiro.

A partir daí, deixou a rádio e foi uma pena. Nos dias de hoje, a sua vida é uma luta noutras artes e noutras lides. Ficou a perder a rádio…

 

Cila Alves

Cila Alves foi uma das vozes mais carismáticas nas rádios do Concelho de Loures. Começou na Saturno e transferiu-se depois para a Rádio Nova Antena, enquanto aparecia com muita regularidade na apresentação de espectáculos, um pouco por toda a Grande Lisboa. Foi a Cila Alves e o seu poder de mobilização e interacção com os ouvintes, que um dia partiu para a realização de um espectáculo para angariação de fundos para a compra de um emissor, mais potente e que propagasse melhor a emissão. A sua voz, que ainda hoje recorda a muita gente grandes momentos de rádio, esteve sempre do lado de quem mais precisava, não regateando nunca, a presença em espectáculos de solidariedade.

José Portela

António José Portela, um radialista de excelência, que ainda hoje está no activo, aos microfones da Rádio Clube de Marinhais, onde apresenta semanalmente “A Visita dos Mais Velhos”. É uma agradável conversa sobre o princípio na Rádio Nova Antena, a fundação da Rádio Cruzeiro e as passagens posteriores pela Saturno, Horizonte e muitas mais…, onde também se recordam as “deliciosas” sandes de cascas de caracóis. Avô “babado”, o António José tem uma vida que se confunde com a vida da Rádio e é um exemplo vivo a seguir, pelos mais novos.